Em meio a uma transcrição espiritual para a música barroca, Mosaicos Bachianos recebe aplausos com a plateia em pé

Em seu último dia, Mosaicos Bachianos: In Nomine Iesu prendeu a atenção do público com interpretação intensa e dinâmica da Chaconne de Johann Sebastian Bach

Rhanna Viana Sarot | 1º ano de Jornalismo da Universidade Positivo

Bastou a mão esquerda para Salete Chiamulera, professora e pianista, impressionar cada pessoa que assistia o concerto “Mosaicos Bachianos: In Nomine Iesu”, sábado (06) no Studium Theologicum, evento que pertence ao Fringe. Dividido em três partes, o concerto começou com a execução da série de recitais de piano compostas por Bach, que envolviam a temática cristã, sem pausas durante cada recital. O silêncio foi utilizado como forma de reflexão à platéia, que continuou vibrada com a interpretação muda da pianista. Logo após, cada trecho foi tocado novamente, separados por palavras e citações da Bíblia, realizadas pelo Padre Márcio Luiz Fernandes.

A Chaconne tem 64 partes em sua construção, onde cada parte é composta por quatro compassos. No total, foi distribuída por três grandes seções de contexto: “A Vida de Jesus até a Crucificação”, “Jesus Ressurrecto” e “A Promessa – Espírito Santo”. Cada seção foi construída com um caráter tonal que remeteu ao espectador determinadas sensações. A primeira e a última utilizaram de tratamentos tonais menores, que causaram dramaticidade e, em determinados pontos, angústia ao público. Já a segunda, utilizou do tom maior para ressaltar a glória envolvida à ressurreição de Cristo.

Durante uma hora, a pianista ficou em estado absoluto de concentração. Mesmo em pausa, mantinha uma postura de total atenção e foco ao trabalho. Curiosamente, executou a primeira parte do espetáculo sem nenhuma partitura ou anotação que pudesse guiá-la durante a troca de segmentos, e a fez com os olhos fechados por quase todo o tempo. Manteve os pés descalços, e transmitia uma conexão sublime entre piano e platéia, enquanto trocava expressões de dor por alegria em poucos segundos. Não bastava a interpretação, Salete utilizou do dinamismo musical para transmitir momentos da vida de Jesus. A performance, que variava do forte ao fraco em poucos segundos, criou uma relação de conexão com a platéia durante toda a execução.

Em um segundo momento, houve silêncio. Por cerca de cinco minutos, a pianista repousou ao piano, sem emitir som algum, e mergulhou cada um que estava no local neste silêncio, de pura reflexão e descanso. Então, a obra foi tocada novamente, agora com interrupções. A cada trecho, chamado “mosaico” pela professora, Padre Márcio trazia citações bíblicas. Desta vez, no piano estava a partitura dos mosaicos, cheia de anotações sobre qual seria a palavra dita para cada um. Salete utilizou uma forma mais calma de executar as melodias de Bach nesta segunda instância.

Com aplausos duradouros, e o público em pé, Salete e Padre Márcio contaram um pouco da emoção que a peça lhes causa. “Foi a primeira vez que fizemos essa junção entre a palavra e a música”, disse a professora, em referência ao dia de estreia. O efeito que os dois juntos causam, segundo Salete, foi enorme, tanto ao público quanto à ela. Mosaicos Bachianos é um espetáculo que ilustra a religiosidade à música erudita, e reforça a importância de Bach na construção musical e da fé contemporânea.

Serviço:

Mosaicos Bachianos: IN NOMINE IESU (Chaconne em ré menor – BACH/BRAHMS)

Gênero: Música e Musical

Classificação: Livre

Foto: Rhanna Viana Sarot

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