Com temática forte, Titãs apresentam a primeira Ópera Rock brasileira

Temas como cultura do estupro, ódio na internet e aborto formam discussão social proposta no espetáculo Doze Flores Amarelas

Marcella Stelle | aluna do 1° ano de jornalismo

Aconteceu na noite de terça-feira, 03, o ensaio aberto de Doze Flores Amarelas da banda Titãs no Guairão. Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Belotto, únicos músicos ainda na banda da formação original, junto com o escritor Marcelo Rubens Paiva e o ator e dramaturgo Hugo Possolo compuseram a primeira Ópera Rock brasileira.

As vinte e cinco músicas do décimo quinto álbum da banda narram a história de três amigas, as três Marias. Jovens universitárias, conhecem um novo aplicativo de celular, que auxilia o usuário a aproveitar ao máximo as festas. Numa dessas saídas, as garotas são estupradas, gerando consequência diferentes a cada uma delas. Além do estupro, machismo, violência contra a mulher, aborto e drogas são temas das canções.

As jovens Mariana Correia, 18, e Lorrayne Borges, 19, não conheciam muitas músicas da banda, e se interessaram pelo espetáculo na sinopse “quando lemos que seria um Ópera Rock que abordaria temas tão importantes para a juventude, principalmente nós mulheres, não tivemos dúvidas que precisávamos assistir”, comenta Lorrayne. “Espero que depois do show, as pessoas saiam refletindo sobre tudo que será dito”, afirmou Mariana. Ao contrário das jovens que mal conheciam os astros de “Sonífera Ilha” e “Epitáfio”, Jocely galera, 60, e Almir Galera, 62, estavam no Guaíra para curtir um show da banda que marcou a juventude do casal “esperamos que eles toquem as novas e os clássicos”.

Infelizmente não foi apenas o casal que se surpreendeu com a construção do show. Durante o intervalo entre o Ato II e Ato III, muitas foram as pessoas que se retiraram do local. Era possível ouvir comentários da decepção por ser uma apresentação musical e teatral com tema tão forte. Embora os diretores da ópera Jaques Morelenbaum e Hugo Possolo no início tivessem subido ao palco e aviso a plateia que se tratava de um ensaio aberto e, por isso, poderia haver erros e pausas durante as apresentações, quem assistia se incomodou com o som (ora a bateria estava muito alta, ora a voz das atrizes e cantoras mal dava para ouvir) e iluminação baixa.

Doze Flores Amarelas realmente não é um produto comercial, é um mix de muitos problemas que a juventude enfrenta nessa era tecnológica e ilimitada. Uma das canções mais fortes, Me Estuprem coloca a mulher aceitando sua posição de culpada porque é mulher, usa roupas curtas, sai na rua sozinha.

Com narração de Rita Lee, Doze Flores Amarelas atingiu seu objetivo: impactar a plateia e fazê-la pensar. Se ela irá mudar? Ainda é cedo para notar. Após oitenta minutos de espetáculo, a plateia em pé, por minutos ovacionou o espetáculo que uniu música, teatro e discussão.

 

Foto: Annelize Tozzeto

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